Mostra reúne fotografias de Vítor Cordeiro - Exposição sobre cultura chinesa patente no Cadaval

“Cultos, Templos, Ou Mun” é o título da mostra fotográfica patente, na Biblioteca Municipal do Cadaval, até dia 2 de março. A exposição, da autoria do cadavalense Vítor Cordeiro, inaugurou no passado sábado numa sessão que incluiu a palestra "Ano Novo Chinês – o fulgor da festa; crenças e vivências de Macau", que esteve a cargo do antropólogo António Pedro Pires. 
Na abertura da sessão solene, Eugénia Correia, vereadora da Cultura, salientou a importância de conhecermos a cultura de outros povos, para daí podermos retirar ilações sobre a nossa própria cultura. Eugénia Correia realçou também a importância de salvaguardar o património cultural imaterial, já que, como afirmou, «Com a globalização, há a tendência para as pessoas esquecerem a sua cultura». Segundo a edil, o Cadaval tem sabido valorizar este tipo de património, mantendo vivas as suas tradições.
Para Vítor Cordeiro, esta exposição constitui «uma forma de partilhar elementos de uma cultura diferente de um lugar longínquo, mas no fundo com uma forte ligação a Portugal, através de uma história que nos une há cerca de 500 anos.» As imagens expostas foram registadas, pelo próprio, entre 1992 e 1999, em dois templos macaenses – “A Ma” e “Kun Iam Tong”, nos primeiros dias de ano novo lunar em Macau (“Ou Mun”). 
Depois de ter trazido, em 2011, à Biblioteca Municipal do Cadaval, a exposição fotográfica “Timor Lorosae”, Vítor Cordeiro deseja, desta feita, que cada visitante se sinta transportado no espaço e no tempo a esse «cantinho da Ásia» onde residiu durante 17 anos. 
Refira-se que a mostra está patente ao público no horário de funcionamento da biblioteca, ou seja, à segunda, das 14h às 18h, de terça a sexta, das 9h às 18h, e ao sábado, das 9h às 13h00.

   

Ano Novo Lunar: a grande festa da China

 

Pedro Pires, antropólogo especialista em cultura chinesa, explicou, durante a palestra inicial, que o ano novo lunar se trata da grande festa do povo chinês. «É a festa da família, que significa reunião, e ocorre no primeiro dia da lua nova, após o solstício de inverno», revela o antropólogo.

 

O novo ano chinês teve início a 23 de janeiro, sendo 2012 regido pelo poderoso signo do Dragão. De acordo com a sabedoria popular chinesa, o animal que regula o ano em que nascemos exerce uma profunda influência nas nossas vidas «porque é o animal que se esconde no nosso coração», observa Pedro Pires, acrescentando que «as pessoas nascidas nesse ano terão as caraterísticas que se atribuem a esse animal.»

 

A celebração do ano novo lunar trata-se de um ciclo de festividades que pretende comemorar não só a chegada da primeira lua, como também o início da primavera – altura da união do princípio masculino (Yang) ao feminino (Yin). «É o rejuvenescimento em casa, nos campos, na natureza e na vida, tal como na primavera; mundo, terra e homem unidos neste rejuvenescimento», reconhece o especialista.

 

Para os chineses, os astros comandam a ação humana e a lua comanda os ritmos da vida, «controlando», tal como adianta Pedro Pires, «todos os fenómenos cósmicos: a chuva, a vegetação, a fertilidade, incluindo a fertilidade feminina – o ciclo menstrual.»

 

Nos preparativos da celebração da chegada da primeira lua, o povo chinês põe o acento tónico na comida, bem como em ritos de purificação de pessoas, espaços e objetos, entre outros rituais comemorativos. A festa supõe abundância de alimentos e pratos típicos, esbanjamento em compras e na decoração de casas e ruas. A típica árvore de Natal é substituída, na China, pela tangerineira (que está associada ao ouro, à abundância e à riqueza), ou pelo pessegueiro, símbolo da longevidade.

 

O momento alto da festividade é a reunião da família, na qual participam deuses, antepassados e familiares. Segundo o antropólogo, «Todos se sentam à mesa e, juntos, celebram a alegria pelo ano que vai começar, e a harmonia e solidariedade entre os membros da família.»

 

Depois de toda a família ter entrado em casa, a porta da entrada é selada com fita vermelha para evitar a entrada dos espíritos maléficos, sendo reaberta com a vinda do novo ano. «À meia-noite, rebentam panchões em todas as casas, enquanto nas ruas o ruído é ensurdecedor. É a noite mais longa do ano, em que ninguém pode dormir», realça Pedro Pires.

 

Ainda durante a palestra, Vitor Cordeiro exemplificou, com adereços próprios, a dança do leão – mais um traço da cultura tradicional chinesa. O autor fez também a entrega formal de um conjunto de livros sobre Macau à Biblioteca Municipal. Foram ainda lidos dois poemas dedicados aos templos retratados na exposição, a qual foi enriquecida por música oriental, queima de incensos e outros adornos da cultura chinesa.

 

A encerrar a sessão solene, Aristides Sécio, presidente da Câmara Municipal, frisou que «aquilo que é mais importante desta milenar cultura é o reconhecimento de que a família é a base fundamental para uma boa harmonia da sociedade.» 
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